Regras estranhas que soldados tiveram que seguir na Segunda Guerra Mundial

Eu sempre acho curioso pensar que, mesmo em meio ao caos de uma guerra mundial, existiam regras, ordens e códigos de conduta que os soldados precisavam seguir.

A Segunda Guerra Mundial envolveu dezenas de países e levou milhões de pessoas aos campos de batalha na Europa, no norte da África e na região da Ásia-Pacífico. Para organizar operações tão gigantescas, os exércitos dependiam de uma estrutura rígida de comando, com instruções que determinavam desde comportamentos cotidianos até procedimentos durante os combates.

Mas existe uma diferença importante entre ordens militares e leis da guerra. Algumas regras vinham diretamente dos superiores e faziam parte da disciplina de cada exército. Outras estavam relacionadas às normas internacionais que estabeleciam limites para aquilo que poderia ser feito durante um conflito.

E, mesmo com essas regras, a realidade da guerra frequentemente era muito mais brutal do que os documentos e manuais poderiam sugerir.

Então, que tipo de ordens os soldados recebiam? O que eles podiam ou não fazer durante as operações? Quais regras existiam para prisioneiros, civis e combatentes? E até que ponto essas normas eram realmente respeitadas nos campos de batalha?

Neste artigo, eu quero conhecer algumas das regras e orientações que os soldados precisavam seguir durante a Segunda Guerra Mundial, entendendo como funcionava a disciplina militar e quais limites deveriam existir mesmo durante um dos conflitos mais devastadores da história.

1. Era preciso estar sempre muito limpo

(Fonte: History of Sorts / Reprodução)
Os exércitos de todos os países deviam prezar pela limpeza. (Fonte: History of Sorts / Reprodução)

As doenças eram um problema sério na guerra. Por isso, os soldados precisavam manter protocolos de higiene a fim de evitar a propagação de doenças perigosas. 

Entre elas, estavam o tifo e a disenteria. Assim, todos tinham que lavar as mãos, preservar a limpeza local e exterminar piolhos por meio de chuveiradas bem quentes. Além disso, os soldados deviam limpar as latrinas, cobrir o lixo e controlar populações de insetos.

2. Os soldados deviam seguir qualquer ordem

(Fonte: GettyImages / Reprodução)
Soldados nazistas se defenderam dizendo que apenas seguiam ordens. (Fonte: GettyImages / Reprodução)

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Aliados saíram vitoriosos e precisavam lidar com homens e mulheres que haviam se envolvido em crimes de guerra. Os nazistas foram levados para Nuremberg para enfrentar o seu julgamento. Lá, os réus apresentaram a defesa de que estavam simplesmente seguindo ordens e que, por isso, não poderiam ser pessoalmente responsabilizados pelo que aconteceu nos ataques nazistas. 

Só que entre os juízes desses julgamentos estavam pessoas dos países aliados, que rejeitaram esse argumento de defesa. Eles escreveram, em uma decisão que hoje parece óbvia, que os soldados que cometeram atrocidades sabiam, ou ao menos deveriam saber, que o que estavam fazendo era errado. Afinal, mesmo que se sentissem em risco caso desobedecessem essas ordens, eles não corriam risco imediato de morte.

3. Eles precisam ficar quietos sempre

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Os soldados não podiam revelar detalhes sobre o que passavam na guerra. (Fonte: GettyImages / Reprodução)

O sigilo era algo essencial durante a guerra. Tanto o Eixo quanto os Aliados trabalharam duro para esconder os detalhes de seus planos de guerra contra os inimigos – por isso, todos os soldados precisavam manter suas bocas bem fechadas.

Por conta disso, em março de 1940, os censores nazistas começaram a monitorar a correspondência que era emitida pelos soldados alemães. Havia regras de que os soldados deveriam escrever apenas em línguas europeias, não podiam descrever detalhes dos movimentos nem enviar fotos das instalações militares. Caso isso acontecesse, eles poderiam ser processados por subversão.

Os Aliados também censuravam as correspondências dos soldados. Havia, por consequência, a autocensura: campanhas de informação pública mencionavam o tipo de informação que, se um inimigo interceptasse uma carta, seria altamente prejudicial para a tropa.

4. Os soldados americanos precisavam estar sempre impecáveis

(Fonte: GettyImages / Reprodução)
O general George Patton exigia que seus soldados estivessem sempre bem vestidos. (Fonte: GettyImages / Reprodução)

O general George Patton foi um dos comandantes mais eficientes dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, ele tinha um temperamento explosivo e um hiperfoco nas suas vestimentas, que precisavam estar sempre impecáveis, mesmo no meio de uma batalha.

Isso foi imposto também às suas tropas, e seus soldados tinham que usar gravatas mesmo em temperaturas escaldantes. Aparentemente, a única maneira de escapar do decreto da gravata era apresentar um atestado médico.

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