
Entre todas as divindades da mitologia nórdica, poucas despertam tanta curiosidade quanto Hela, a poderosa governante de Niflheim, o reino dos mortos. Filha do deus trapaceiro Loki e da gigante Angrboda, ela reina sobre aqueles que não morreram em combate, administrando um dos lugares mais misteriosos da cosmologia dos antigos povos escandinavos.
Ao contrário da imagem popular de uma deusa maligna, Hela não representa o mal absoluto. Sua função é manter a ordem entre os mortos, preservando o equilíbrio do universo ao lado de outras forças divinas.
Neste artigo, descubra quem é Hela, qual é sua origem, como ela governa Niflheim e qual é seu verdadeiro papel na mitologia nórdica.
Quem é Hela?
Hela é a deusa responsável pelo reino dos mortos conhecido como Niflheim ou Helheim, dependendo da tradição e da fonte medieval.
Ela é filha de Loki e da gigante Angrboda, sendo irmã de duas criaturas igualmente famosas da mitologia nórdica: o lobo Fenrir e a serpente Jörmungandr.
Segundo as lendas, desde o nascimento Hela apresentava uma aparência incomum.
Metade de seu corpo era descrita como bela e viva, enquanto a outra metade lembrava um cadáver em decomposição, simbolizando a fronteira entre a vida e a morte.
O reino de Niflheim
Após perceber o enorme poder dos filhos de Loki, Odin decidiu separá-los.
Fenrir foi acorrentado.
Jörmungandr foi lançado ao oceano.
Já Hela recebeu o domínio sobre Niflheim, onde passou a governar os mortos que não pereceram de forma heroica em batalha.
Seu reino abriga aqueles que morreram por:
- doenças;
- velhice;
- acidentes;
- causas naturais.
Os guerreiros mortos em combate, por outro lado, eram destinados principalmente a Valhala ou ao campo de Fólkvangr, dependendo da tradição.
Hela é uma deusa má?
Uma das maiores diferenças entre a mitologia nórdica e diversas tradições religiosas posteriores está na maneira como compreendem a morte.
Hela não é uma figura demoníaca.
Ela não pune os mortos simplesmente por terem cometido pecados.
Sua função é administrar um dos reinos do cosmos, garantindo que cada pessoa alcance o destino correspondente à forma como morreu.
Assim como Odin governa Asgard e Njord protege os mares, Hela governa o domínio dos mortos.
Ela representa a inevitabilidade da morte, e não a maldade.
A aparência de Hela
As descrições medievais apresentam Hela como uma figura impressionante.
Seu corpo dividido entre vida e morte simboliza sua natureza dupla.
Ela pertence ao mundo dos vivos por sua origem divina, mas reina sobre aqueles que já partiram.
Esse contraste tornou Hela uma das imagens mais marcantes da mitologia nórdica e inspirou inúmeras representações na arte, na literatura e na cultura popular.
Hela e Balder
Uma das histórias mais famosas envolvendo Hela está ligada à morte de Balder, o deus da luz.
Após Balder ser morto, sua alma foi enviada ao reino de Hela.
Odin enviou o deus Hermod para negociar seu retorno.
Hela concordou em libertá-lo apenas se absolutamente todos os seres do universo chorassem por sua morte.
Quase todos obedeceram.
Entretanto, uma gigante chamada Thökk — frequentemente identificada como Loki disfarçado — recusou-se a lamentar Balder.
Como consequência, ele permaneceu em Hel até os acontecimentos do Ragnarök.
Essa narrativa mostra que Hela não age por crueldade, mas segundo regras e condições estabelecidas.
Hela no Ragnarök
Durante o Ragnarök, o grande fim do mundo na mitologia nórdica, Hela desempenha um papel importante.
Os mortos sob seu domínio marcham ao lado das forças do caos na batalha final contra os deuses.
Após essa destruição, um novo mundo renasce, renovando o ciclo da existência.
Assim, Hela também participa do processo de transformação que caracteriza a visão nórdica do universo.
O simbolismo de Hela
Mais do que representar a morte, Hela simboliza:
- o fim natural da vida;
- a passagem entre os mundos;
- o equilíbrio do cosmos;
- a aceitação do destino;
- a renovação após a destruição.
Na tradição nórdica, morrer não significava desaparecer, mas seguir para um dos diferentes reinos destinados às almas.
Hela na cultura popular
Nas últimas décadas, Hela tornou-se uma das figuras mais conhecidas da mitologia nórdica.
Ela aparece em:
- romances históricos;
- jogos eletrônicos;
- séries de televisão;
- quadrinhos;
- filmes inspirados na mitologia escandinava.
Embora muitas adaptações alterem sua personalidade ou aparência, a personagem continua sendo uma das representações mais fascinantes da morte na tradição nórdica.
Curiosidades sobre Hela
- Hela é filha de Loki e da gigante Angrboda.
- Governa Hel ou Niflheim, dependendo da tradição textual.
- Seu corpo é descrito como metade vivo e metade morto.
- Recebe aqueles que morrem de doença, velhice ou causas naturais.
- Não é equivalente ao diabo da tradição cristã.
- Desempenha um papel importante durante o Ragnarök.
O legado de Hela
Hela ocupa um lugar singular na mitologia nórdica.
Ela não representa o mal, mas a certeza de que toda vida possui um fim e que a morte faz parte da ordem do universo.
Sua figura revela uma concepção diferente da encontrada em muitas tradições religiosas posteriores: em vez de uma punição eterna, o reino dos mortos é visto como um destino natural para aqueles que completaram sua jornada.
Conhecer Hela é compreender melhor a visão dos antigos povos nórdicos sobre o ciclo da vida, da morte e da renovação, temas que continuam despertando fascínio e inspirando narrativas até os dias atuais.
