Eu sempre fico impressionada quando encontro histórias individuais dentro de grandes acontecimentos históricos. A Primeira Guerra Mundial, por exemplo, costuma ser lembrada através de números enormes, batalhas e estratégias militares. Mas, por trás de tudo isso, existiam milhões de soldados vivendo situações que parecem difíceis até de imaginar.
Uma dessas histórias é a de William Henry Johnson, um jovem norte-americano nascido em Albany, Nova York, que acabou protagonizando um dos episódios mais impressionantes envolvendo um soldado negro durante a Primeira Guerra Mundial.
Na noite de 15 de maio de 1918, perto da meia-noite, Johnson estava cumprindo sua função de proteger uma ponte na Floresta de Argonne, na França, quando sua posição foi atacada por soldados alemães.
O que aconteceu naquela noite transformaria sua vida e faria seu nome entrar para a história militar dos Estados Unidos.
O mais impressionante é que Johnson não era um general, não comandava um grande exército e não estava participando de uma batalha monumental. Ele era apenas um soldado tentando cumprir sua missão em meio a um dos conflitos mais brutais da história.
Mas, naquela noite, ele enfrentaria uma situação extraordinária.
Quem foi William Henry Johnson? O que aconteceu naquela ponte? E como um único soldado conseguiu resistir a um ataque inimigo em circunstâncias tão extremas?
É essa história que eu quero contar neste artigo.
Surpresa na calada da noite
(Fonte: Wikimedia Commons)
Conforme os barulhos foram se intensificando naquela noite, Johnson pediu para que Roberts fosse checar o que estava acontecendo. O parceiro, extremamente cansado, acreditou que o soldado estava apenas preocupado demais e não cumpriu sua função.
Com medo de um possível ataque surpresa, Johnson então passou a se preparar. Ele decidiu empilhar uma grande variedade de granadas e colocar vários cartuchos de fuzil ao alcance de seu braço. Caso alguém realmente estivesse pronto para surpreendê-los, ele estaria preparado.
Em determinado momento, ele acabou ouvindo um barulho de corte: era a cerca do perímetro sendo cortada por tropas inimigas. Então, acordou Roberts mais uma vez e fez um ultimato: “se você não acordar agora, talvez nunca mais abra os olhos”. Foi aí que os dois começaram a lançar granadas na escuridão em uma tentativa desesperada de desencorajar qualquer um que estivesse à espreita.
Troca de tiros e luta histórica
(Fonte: Wikimedia Commons)
Assim que as granadas começaram a explodir, Johnson viu dezenas de soldados alemães avançarem pela mata da floresta francesa e com baionetas apontadas para eles. Tiros passaram a vir de todas as partes e a dupla de soldados precisou fazer de tudo para sobreviver.
Nas próximas horas, o inexplicável tomou conta daquele cenário. No meio do conflito, Roberts foi atingido por estilhaços de uma granada e teve os braços e o quadril desabilitados. Ainda consciente, ele decidiu dar mais algumas granadas para seu parceiro arremessar.
Tendo se tornado um exército de um homem só, Johnson passou a atirar para todos os cantos. Durante a troca de cartuchos, começou a ser cercado pelos alemães e tomou uma decisão drástica: sair correndo com o rifle na mão como se fosse um porrete, esmagando-o sobre as cabeças dos adversários.
Depois disso, precisou sacar uma faca de bolo do bolso e partiu para o ataque enquanto estava sendo baleado. Ao todo, ele precisou lutar por uma hora e, inclusive, resgatar Roberts das mãos do inimigo até que os reforços chegassem e o restante dos alemães fugissem.
O desfecho
(Fonte: Wikimedia Commons)
Quando os oficiais militares visitaram o local da batalha, ficaram perplexos com o que viram. Capacetes alemães estavam espalhados pelo chão junto de várias poças de sangue. Estima-se que Johnson tenha matado quatro soldados e ferido mais 24 pessoas durante a batalha.
O soldado norte-americano foi apelidado de “Morte Negra” e a ponte foi reconhecida como “a Batalha de Henry Johnson”. Após a guerra, ambos Johnson e Roberts ganharam múltiplas condecorações pelos acontecimentos daquela noite, inclusive com homenagens feitas pelo ex-presidente Theodore Roosevelt.
Naquela época, Roosevelt declarou que Johnson era um dos americanos mais corajosos a pegar em armas na guerra e multidões foram recebê-lo ansiosamente em Nova York na esperança de cumprimentá-lo. O soldado acabou morrendo de miocardite — uma inflamação no músculo cardíaco — em 1929, mas definitivamente entrou para a história.


