A Batida na Porta

A tempestade rugia lá fora, chicoteando as árvores e fazendo a velha casa ranger como um cadáver estalando os ossos. Jonas soltou um palavrão quando a luz piscou três vezes antes de se apagar de vez.

— Ótimo. Perfeito.

Tateou no escuro até encontrar o celular. Sem sinal. Nenhuma surpresa. Pegou a lanterna e foi até a cozinha procurar velas.

Então ouviu.

TOC. TOC. TOC.

Três batidas secas.

Ficou parado, ouvindo. O vento uivava, os trovões retumbavam, mas, entre tudo isso, o som era claro. Alguém estava batendo na porta da frente.

TOC. TOC. TOC.

Agora mais forte.

O coração acelerou. Quem estaria ali, naquela tempestade? Olhou para o relógio: 23h47. Ninguém batia na porta de alguém a essa hora, não em uma casa isolada como aquela.

— Quem é? — Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.

Nenhuma resposta. Apenas o som da chuva pesada.

Jonas hesitou, mas decidiu abrir. Girou a chave, puxou a porta devagar…

E não havia ninguém.

Só o vento frio e a escuridão sem fim da floresta.

Respirou fundo, sentindo-se idiota. Talvez um galho tivesse batido na porta. Fechou e trancou, voltando para a cozinha.

TOC. TOC. TOC.

O som voltou.

Só que agora vinha de dentro da casa.

Ele se virou bruscamente. A batida vinha do corredor. De dentro do seu quarto.

Jonas sentiu o estômago se revirar. Aquilo não fazia sentido. Ele morava sozinho.

Lentamente, segurando a lanterna com mãos trêmulas, caminhou pelo corredor escuro. O chão rangeu sob seus pés. A porta do quarto estava fechada.

TOC. TOC. TOC.

A batida vinha de dentro do guarda-roupa.

Jonas quis correr, mas algo dentro dele precisava abrir. Precisava ver.

Com um último fôlego, ele estendeu a mão, tocou a maçaneta do guarda-roupa e puxou.

A luz da lanterna iluminou o interior…

E ele se viu ali dentro.Seus próprios olhos arregalados, o rosto pálido, a boca aberta num grito silencioso. Era ele. Trancado do outro lado, batendo para sair.

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